O fundador do Instituto, São José Allamano, fala-me de modo particular através de uma palavra que marcou profundamente o meu percurso vocacional: “Deus me chama hoje, não sei se me chamará amanhã.” Esta afirmação tornou-se um princípio orientador do meu caminho, ajudando-me a compreender a importância da escuta atenta do presente como lugar privilegiado da ação de Deus.
Esta palavra iluminou um momento decisivo da minha vida, no qual me encontrei diante de duas opções igualmente positivas: a continuidade do meu serviço como professor na escola primária, onde experimentava realização pessoal e sentido de responsabilidade, ou a decisão de ingressar no seminário para um discernimento vocacional mais profundo. Apesar da satisfação encontrada no exercício profissional, persistia em mim uma inquietação interior, sinal de um chamado que não se extinguira: : “E se Deus estiver a chamar‑te agora?” Era uma pergunta que não me deixava em paz, porque tocava na verdade do meu coração.
Neste contexto de discernimento, a figura e o ensinamento de São José Allamano tornaram-se particularmente significativos. Através da sua espiritualidade, fui levado a compreender que o chamado de Deus exige coragem e honestidade interior. O fundador convidou-me a não permanecer imóvel por receio, mas a acolher com responsabilidade aquilo que Deus já havia iniciado no meu coração.
Outro elemento central da mensagem do meu Fundador, foi a convicção de que a missão começa no interior da pessoa. Antes de qualquer atividade apostólica, é necessário permitir que Deus transforme o coração, orientando a vida segundo o Evangelho. Além disso, o fundador recorda que a santidade se constrói na fidelidade ao quotidiano, através de pequenos gestos, atitudes simples e escolhas coerentes. A decisão de ingressar no seminário comportou renúncias e exigiu confiança. No entanto, compreendi progressivamente que responder ao chamado no “hoje” de Deus era um passo necessário para viver com maior autenticidade a minha vocação. A palavra do Fundador revelou-se, assim, não apenas inspiradora, mas também exigente e concreta.
Atualmente, reconheço que o Fundador me fala, e continua a orientar o meu caminho formativo. Outrosim, a sua voz manifesta-se no convite à vida fraterna vivida com paciência, à escuta atenta, ao serviço humilde e gratuito, e à consciência de que a missão não começa apenas no envio ad gentes, mas na vivência fiel do quotidiano comunitário. São José Allamano, hoje me fala e ensina-me que a santidade não é um ideal distante, mas um compromisso diário com o presente, vivido na disponibilidade, na humildade e na fidelidade às pequenas coisas.
Desta forma, a mensagem do fundador continua a acompanhar e a orientar o meu percurso, ajudando-me a responder com responsabilidade e liberdade ao chamado de Deus no contexto da formação e da vida missionária.
“Deus me chama hoje, não sei se me chamará amanhã”.